17 de jun de 2011

revirada

olhar o mundo de cabeca para baixo. Como se equilibrar quando tudo esta em outro angulo. Nao e preciso tanta forca, nao e preciso tanto esforco, e so enxergar de outra maneira. Eu que sempre estive com as bases firmes no chao, pronta para saltar ou me equilibrar em uma sapatilha pronta por piruetas. O desafio esta ai, olhar ao contrario. Buscar essa tranquilidade do outro lado , eu sei e preciso encaixe, concentracao.Pisar no novo ou nao pisar, da medo.
Meu corpo hoje acordou em pedacos. Tenho a sensacao que meus orgaos, musculos e ossos, tudo esta em outro lugar. Como se alguem com grandes maos amaciasse uma carne que estava dura, sempre na primeira posicao. Me sinto mole e fora de estrutura, apesar de nao conseguir dobrar as pernas para me sentar.
Um movimento que parece tao leve e para mim exige tanto esforco. Entortei as pernas, mas senti meu corpo vivo, energia pulsando ate as 22 da noite.
Na parada de onibus as 18:00, minha visao estava turva ainda... Aquela sensacao de estar com a cabeca para baixo me seguiu o dia todo. Enxergava minhas alunas em outro tempo, as pessoas todas estavam em outra densidade, com outro peso. Tudo flutuava, nada era firme. Mas como deixar a base firme, se meus pes estao no alto e minhas maos estao no chao . Minha cabeca e meu pescoco suspensos.
Arriscar, aceitar o desequilibrio como parte do equilibrio. Assumir, cair, se jogar e rolar nesse lugar que machuca, que mata nossas raizes, que desconstroi. Nao existe lugar certo, a cabeca nao tem que ficar sempre em cima do pescoco e nem os pes tem que estar sempre no chao.

sem correcoes
Audrey II

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